
Poema dedicado a Mario Quintana por Manuel Bandeira
Lido pelo autor na Academia Brasileira de Letras em 1966
“Meu Quintana os teus cantares
Não são,
Quintana,
cantares
São,
Quintana,
quintanares
Quinta essência de cantares
Insólitos,
singulares
Cantares?
Não!
Quintanares!
Quer livres quer regulares
Abrem sempre os teus cantares
Como flor de quintanares
São cantigas sem esgares
Onde as lágrimas são mares
De amor os teus quintanares.
São feitos esses cantares
De um tudo-nada:
ao falares
Luzem
estrelas
e luares
São para dizer em bares
Como em mansões seculares
Quintana, os teus quintanares
Sim, em bares, onde os pares
Se beijam sem que repares
Que são casais exemplares
E quer no pudor dos lares
Quer no horror dos lupanares
Cheiram sempre os teus cantares
Ao ar dos melhores ares
Pois são simples,
invulgaresQuintana,
os teus quintanares
Por isso peço não pares Quintana,
nos teus cantares
Perdão! digo quintanares
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